Ilhas de Plástico – SOS Oceanos

Vamos pensar nos grandes clássicos de guerra e nas grandes explosões…

E agora, nos momentos românticos de um vídeo, de um quotidiano onde passa uma balsa sob uma ponte, sob o rio São Francisco ( San Francisco – USA ).
Feche os olhos e imagine do que a balsa esta carregada…

E o que a Guerra e a balsa de lixo que passa no rio São Francisco tem em comum?

O DESTINO!

É fundamental lembrar que o oceano é imenso, mas a vida que nele reside não é tão resistente quanto os materiais presentes nessas balsas.

Toda imensidão dos oceanos pode ficar ainda menor se pensarmos na proporcionalidade de longitude por profundidade, isto é a profundidade média do oceano é de 5000 metros, se reduzirmos  proporcionalmente  as dimensões do oceano teremos um retângulo de 1 metro quadrado ( aproximadamente 8cm x 12,5cm)  com 1 mm de água, ou seja ele é mais largo do que profundo, o oceano não é tão profundo quanto imaginamos.

E mais uma vez, o que isto tem a ver com as balsas de lixo e com as Guerras?

O lixo militar e Radioativo é dispensado nos Mares, na profundeza de 5Km,  o equivalente a 1 hora e 15 minutos de caminhada; 5 Km não é nada, eu jamais moraria a 5 Km de distancia de um depósito de lixo radioativo.

Veja só alguns exemplos conhecidos de depósitos de lixos militares e nucleares nos oceanos:
– Em 1983 existiu um lixão de material radioativo no oceano a 190 Km de distância o que equivale a dois  horas de viagem de carro e a 2,8 quilômetros de profundidade, ou equivalente a  45 minutos de caminhada.
– Trinta e seis navios alemães foram afundados propositadamente com 168mil toneladas de material de guerra química, e estão a apenas 600m de profundidade, o equivalente a aproximadamente 7 minutos de caminhada. Este lixão fica em águas próximas a Arendal na Noruega. Lixões como este existem também no mar Báltico e no mar Norte.
Lixo radioativo e militar a parte vamos ao lixo domestico e urbano, os plásticos e outros materiais flutuantes e submergíveis de difícil decomposição.

Para facilitar a compreensão, vamos ilustrar com uma história intitulada:
“A VIAGEM DO PLÁSTICO DA BALA”
Lembra daquela embalagem plástica da bala que você deixou cair “acidentalmente no chão 5 anos atrás?
Lembrou? Pois bem, depois ventou, choveu e ela caiu em uma boca de lobo, isto é, buracos á beira das calçadas por onde escoam as águas das chuvas.
A água proveniente das bocas de lobo são águas pluviais, águas da chuva consideradas limpas, pois se originam somente da água natural que cai do céu, que carrega restos de folhas, terra  e alguns galhos, materiais orgânicos que facilmente se decompõe, portanto estas águas fluem diretamente para os rios ou oceanos, sem tratamento.

Após algumas semanas em um longo percurso pelos dutos de águas pluviais, o plástico da bala, que e ainda deve estar com boa parte de sua tinta, irá  desembocar em um rio.
Nossa inocente “embalagem plástica da bala” parou em alguns galhos, mas após a mudança de estação, vieram novas chuvas. Os galhos se encharcaram de água, apodreceram e se soltaram, e a embalagem seguiu o seu tranquilo percurso chegando finalmente ao mar.
Mar adentro, próximo a costa a embalagem foi ingerida por um pássaro que confundiu seu brilho plástico com o brilho dos peixes próximos á superfície.  Meses depois sobre o mar o pássaro ”morreu de plástico”, morreu porque ingeriu diversos plásticos inclusive tampas pontiagudas, e após algumas semanas de decomposição a embalagem de bala livre novamente seguiu a sua jornada.

Em 5 anos após uma longa trajetória de navegação pelas correntes oceânicas e alguns estômagos e decomposições, a embalagem da bala, um tanto mais pálida, mas ainda plástica e resistente chega ás ilhas,  o paraíso dos plásticos.
Juntos aos plásticos a embalagem flutua hoje nos oceanos em uma imensa massa plástica formada por outros tantos objetos plásticos que “acidentalmente” foram parar no oceano.
Fim da historia, já que não viverei para contar o resto das centenas de anos que a embalagem resistira!

Nossa história do plástico da bala parece pura fantasia, mas não é mesmo!
Nas estatísticas de historias reais, em 2006 eram 46mil detritos de plásticos a cada 1000 m² no oceano, e também em 2006 foram localizadas embalagens oriundas do Brasil e do Japão no litoral da Escócia.
Fiz um mapa para ajudar a entender:
Mapa Brasil Japão

Mas voltando a “A Ilha do Plástico” ela fica lá em cima, perto da linha do equador no meio do oceano, entre o Japão e os Estados Unidos, mais próxima aos EUA. Não porque eles poluem mais, mas porque lá as correntes conspiram para levar e estagnar os detritos. Veja o mapa das correntes:
Correntes maritimas

Existem locais onde as marés literalmente fazem a curva, a massa plástica esta em destaque laranja no mapa.

É neste local que os resíduos flutuantes de difícil de composição como plásticos, isopor e borracha, se acumulam e ficam navegando em círculos. Agregam-se no que já é uma grande massa de restos plásticos, uma verdadeira ilha plástica. Os restos e são ingeridos por aves marinhas e seres aquáticos que vivem nas ilhas da região.
O uso dos Plásticos e seu destino pós-uso necessitam uma discussão mundial. Todos nós precisamos ter consciência dos impactos que nossos resíduos geram e assumir a responsabilidade de dar um destino correto aos materiais que dispensamos.

Aquela sacolinha plástica que você utilizou por 5 minutos, para levar a compra do mercado para casa, ou a proteção plástica que envolve o saquinho de chá; na confecção destes materiais foi utilizada muita energia e  neste processo são emitidos muitos poluentes. São materiais duráveis sendo usados como não duráveis, isto é, eles continuarão existindo no planeta por muito tempo sem utilidade, ou pior podendo prejudicar ou atrapalhar a vida, causando  mortes. Algumas embalagens e bens não duráveis são realmente indispensáveis, quantos deles não poderiam ser produzidos com materiais degradáveis, que alimentarão o solo depois da decomposição?
Entre as soluções possíveis fica uma triste constatação: o que já foi feito pode no máximo ser remediado, mas nunca sanado. É inviável retirar toneladas de lixo atômico e armas químicas das profundezas, “não tão profundas” dos oceanos. As embalagens já estão degradadas e ao  removê-las poderíamos causar vazamentos piores.
O momento é de educar, informar e agir impedindo que estas barbaridades voltem a acontecer, investindo na conscientização dos adultos e na educação das crianças que são os futuros defensores e reparadores do nosso planeta. Nossos pequenos gênios poderão criar tecnologias ainda não existentes e extremamente necessárias para reciclar ou neutralizar os efeitos destes componentes nocivos depositados nos oceanos.
A educação que damos a eles agora é a semente e a solução para sanar as questões referentes ao futuro de nosso planeta.

Referências:

PDF Universidade Federal de Santa Catariana

PDF United Nations Environment Programme

Site da BBC e Português

Um Comentário

  1. […] está a cada dia mais evidente, e uma das maiores evidencias disto nos dias de hoje é a “Ilha de plástico”.Esta ilha é um amontoado de plástico acumulado no meio do oceano, fica entre o Japão e […]